Presente de Aniversário

Qual é o real sentido de comemorar o aniversário? Ganhar presentes ou celebrar a vida? Presente de Aniversário é o novo projeto do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias, que revela outros significados para esta celebração. A partir de três pilares poéticos – o tempo, o bolo e o presente – o grupo escolheu quatro histórias: os mitos gregos de Deméter e Rei Midas, o conto popular americano João Esperto leva o presente certo e o conto tradicional russo Vassalissa. Presente de Aniversário engloba encontros fechados nas escolas e bibliotecas públicas do próprio bairro e sessões abertas na Biblioteca Popular de Botafogo, nos sábados de maio (dias 07, 14, 21 e 28), às 11h. A entrada é franca com distribuição de senha 30 minutos antes.

Com patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura, as edições fechadas de Presente de Aniversário para escolas serão realizadas em oito escolas e bibliotecas públicas em diversas parte da cidade: Campo Grande (25/04 e 2/05), Ilha do Governador (3 e 6/05), Irajá (9 e 16/05), Jacarepaguá (11 e 18/05), Maré (12 e 19/05), Rio Comprido (27/04 e 4/05), Santa Teresa (13 e 20/05) e Botafogo (10 e 17/05).

Os três pilares poéticos que permeiam a sessão de histórias de Presente de Aniversário são o tempo, contado através das estações do ano, das primaveras, com sentido de transformação e amadurecimento; o bolo, objeto de comunhão a partir do ato de preparar a comida e repartir em presença e coletivamente; e o presente, como símbolo do oferecimento de si para o outro, que pode ser um pensamento, um objeto ou uma performance.

Para viabilizar a proposta do projeto Presente de Aniversário, os artistas Cadu Cinelli, Edison Mego e Warley Goulart criaram tapetes e outros objetos de tecido que servem de cenário para os quatro contos: os mitos gregos de Deméter e Rei Midas, o conto popular americano João Esperto leva o presente certo e o conto tradicional russo Vassalissa.

O mito de Deméter trata da noção de ciclo das estações do ano, o aniversário como retorno ao estágio de reflorescimento de nós mesmos, renovação do ciclo da vida. Em seguida, a história do Rei Midas questiona o tipo de presente que se deseja. Depois, no conto popular americano João Esperto leva o presente certo, o presente é entendido como uma parte de si que não se compra em nenhum lugar. E a sessão termina com o conto russo Vassalisa. Na história, o presente recebido por uma criança serve de amuleto para enfrentar todos os desafios futuros.

Há 17 anos, Os Tapetes Contadores de Histórias investem em infância como memória. A partir desta trajetória, Cadu Cinelli, Edison Mego e Warley Goulart viram a importância de falar sobre este tema, uma maneira de combater o consumismo excessivo, tão comum nos dias atuais. O projeto busca apresentar “o valor do encontro e da comunhão coletiva, buscando esvair sua acepção vinculada ao consumo”, conta Warley. Como surgiram as datas comemorativas? Por qual motivo? Qual seria o propósito de se comemorar um aniversário que não se resumisse a comprar presentes? Existe diferença entre encomendar um bolo e fabricá-lo com as próprias mãos? São algumas das questões levantadas pelo grupo.

Um grande número de crianças tem a percepção da passagem do tempo através de datas comemorativas, muitas vezes incentivadas pelo comércio. A publicidade salta aos olhos da infância nas propagandas dos canais infantis, na internet e pelas ruas. Por todo canto, a repetição que incentiva o consumo. Liquidações, brindes, lançamentos despertam na criança a ilusão de que para viver é preciso ter. E muitas vezes, não sobra tempo para o que de fato é essencial: a atenção, a presença, o amor.

Presente de Aniversário visa transformar a experiência do consumo descartável em uma vivência afetiva por si e pelo outro, valorizando o tempo vivido lado a lado, repartindo o bolo que tem sabor especial porque o outro existe, sendo a presença o maior presente. A dedicação em preparar cada detalhe de uma comemoração para compartilhar com os demais. “Queremos, com esta sessão, viver mais comemorações e menos atribulações por conta do dever de consumir”, destaca Cadu. “Queremos celebrar o tempo juntos, valorizando a vida em comum. Vamos festejar o tempo e os sonhos que podemos construir para um futuro melhor”, diz Edison.