Acervo

Atualmente Os Tapetes Contadores contam com um acervo de 70 objetos-cenários.

Criado ao longo de 21 anos, o acervo particular do grupo é composto por tapetes artesanais do projeto Raconte-Tapis (França), paineis e livros de pano do projeto Manos que Cuentan (Peru) e uma diversidade de obras costuradas pelo próprio grupo no Brasil: tapetes, painéis, malas, aventais, caixas, vestimentas (saia, casaco, poncho, vestido), pergaminhos, jardins, árvores e instalações para grandes exposições.

Criar e utilizar tapetes ou painéis de tecido para contar histórias é uma manifestação popular recorrente em diversas culturas e em distintas épocas da história da humanidade (gabbehs iranianos, arpillería andina, quilts da tradição colonial norte-americana, estandartes de palha e pano do nordeste brasileiro). Desde a Antiguidade, podemos encontrar narrativas que envolvem tapete e oralidade, têxtil e texto, como o mito grego de Filomena (séc V a.C.) que, raptada pelo cunhado e impedida de falar, tece um grande tapete para contar à irmã as maldades do marido e obter justiça.

1998

Na cidade do Rio de Janeiro, atores formandos pela Escola de Teatro da UniRio tiveram conhecimento desta linha de trabalho a partir do contato com o diretor teatral, contador de histórias e artesão francês Tarak Hammam, responsável pelo projeto “Raconte-Tapis”, desenvolvido no interior da França desde 1987. Tal projeto foi fundado por sua mãe, a educadora Clotilde Hammam, quem teve a iniciativa de costurar tapetes para contar histórias e, com isso, estimular crianças à leitura.

No Brasil, os atores fundaram o grupo “Raconte-Tapis – Os Tapetes Contadores de Histórias” e começaram a se apresentar em diversos espaços culturais do Rio de Janeiro, além de participar e produzir uma série de atividades e oficinas com Tarak Hammam. De início, o acervo do grupo era composto por tapetes criados pelo artista francês, que representam cenários de contos da África, Ásia e Europa.

2001

O integrante do grupo Warley Goulart inaugurou no Brasil o projeto de criação de tapetes artesanais a partir de histórias brasileiras. Baseado no modelo francês, ele costurou um tapete para o conto mineiro “A Nuvem Triste”.

2002

Os coordenadores do grupo Warley Goulart e Cadu Cinelli confeccionaram tapetes baseados em contos de Carlos Drummond de Andrade, especialmente para a sessão ‘Retalhos de Drummond’. Neste movimento de criar suportes baseados na literatura oral e escrita nacional, e após intenso contato com a realidade educacional e cultural brasileira, o grupo mudou seu nome para “Os Tapetes Contadores de Histórias”.

A partir de então, o grupo passou a contar histórias e ministrar oficinas em cidades do Brasil e exterior, e, nestas visitas, se deparando com uma profusão de objetos que distintos artistas criavam como cenários para apoio às suas narrativas orais – ora como resultado de uma tradição cultural, ora criação exclusiva do próprio artista.

2003

A integrante do grupo Rosana Reátegui foi ao Peru estudar as possibilidades criativas da Arpillería, técnica artesanal andina de costura à mão de painéis de tecido. Sob sua orientação, a artesã Norys Vasquez criou um painel para o conto “El Bagrecico” do peruano Francisco Izquierdo Ríos.

2004

Inspirados por estes encontros, Warley Goulart e Cadu Cinelli criaram a sessão “Cabe na Mala?”. A dupla confeccionou mala, avental, tapete e caixas de pano para histórias de Ana Maria Machado (Brasil), e uma caixa de luz, com lâmpadas internas, para o conto “A Rainha das Cores” da alemã Jutta Bauer.

2005

No Rio de Janeiro, Warley Goulart e Cadu Cinelli criaram um tapete gigante de 12 metros para o espetáculo ‘O rei que ficou cego’, baseado em homônimo conto popular brasileiro, na versão de Ricardo Azevedo (Brasil).

Em Lima, Rosana Reátegui fundou o ‘Manos que cuentan’, uma ação conjunta com artesãs da Associación de Arpilleras Taller Santa Julia na produção de livros de pano a partir da literatura oral peruana – ação que recebeu no mesmo ano o Prêmio de Melhor Livro-Objeto pela Câmara Peruana do Livro.

Rosana Reátegui também criou objetos e tapetes para narrar contos de amor e erotismo do universo andino, em seu trabalho para adultos intitulado “Divinas y Humanas”.

2006

À convite da Editora Global, Warley Goulart e Cadu Cinelli criaram ilustrações para o livro “O congo vem aí” do mineiro Sérgio Capparelli. O resultado foram doze pranchas de tecido, todas costuradas e, em seguida, fotografadas para comporem a obra impressa. A história apresenta a Congada de São Benedito, um dos festejos populares mais tradicionais do Brasil, e que existe desde o tempo dos escravos.

2007

Todos os demais integrantes do grupo se enveredaram na costura de cenários. Para a sessão “Bicho do Mato”, Edison Mego, Helena Contente, Cadu Cinelli e Warley Goulart confeccionaram um jardim de tecido (vaso, planta, moita, pedra e jardineira) que serve de abrigo para contos populares brasileiros e histórias de Ana Maria Machado e Ricardo Azevedo.

Investindo em um repertório para jovens e adultos, Helena Contente criou vestidos e saias para conto de Ricardo Azevedo, Warley Goulart fabricou um tear para conto de Marina Colasanti e Cadu Cinelli criou um painel para conto do suíço Peter Bichsel. A sessão foi chamada de “O mundo de fora pertence ao mundo de dentro”.

2008

Na sessão “Palavras Andantes”, o grupo criou coletivamente dois paineis para um conto africano chamado “Como o Sol passou a brilhar no mundo”. A integrante do grupo Ilana Pogrebinschi criou um pavão para o conto “O Pavão do Abre-e-fecha” de Ana Maria Machado.

Mais uma vez ao Peru, em parceira com as artesãs da Associación de Arpilleras Taller Santa Julia, Cadu Cinelli criou painéis-cenários para duas narrativas da América do Sul: “O Espelho Mágico” da obra “Contos Tradicionais do Brasil”, de Luís da Câmara Cascudo; e “A agulha Mágica”, da escritora argentina Claudia Macchi.

2009

A partir da obra de Manoel de Barros, o grupo costurou um grande quintal reinventado para sua nova peça teatral “Passarinho à Toa”. Os destaques visuais foram um casaco de mangas compridas criado por Helena Contente, todo bordado por Warley Goulart, com poemas do grande escritor matogrossense; um gramofone de tecido criado por Ilana Pogrebinschi e um boneco gigante criado por Rosana Reátegui, representando o avô do poeta.

Para narrar os contos trágicos da belga Margueritte Yourcenar, em seu novo espetáculo adulto “Três Horizontes”, os artistas Cadu Cinelli, Helena Contente e Rosana Reátegui criaram vestimentas e objetos diversos feitos com linha de costura.

2011

O figurinista Bruno Perlatto criou verdadeiras roupas-cenários para o grupo narrar contos para adultos, no projeto Fashion Cuentos.

2012

Baseado na obra de Graciliano Ramos, Warley Goulart e Cadu Cinelli costuraram um tapete para o conto “O Estribo de Prata”. Este cenário de pano contou com os desenhos de Cadu Cinelli e Rosana Reátegui.

No projeto “Oficinas Culturais” da Prefeitura do Rio de Janeiro, Cadu Cinelli e Warley Goulart conduziram oficinas de confecção de cenários em diferentes bairros da cidade.

Cadu Cinelli orientou a costura conjunta do tapete correspondente ao conto espanhol “O Príncipe Serpente”, com os seguintes artistas do bairro de Vila Kennedy: Etiene Alves, Ezequiel Pereira dos Santos, Fernanda Silva Lemgruber, Juliana Gelmini, Luzitalma Rosa dos Santos Sobreira, Natália Vieira da Rocha, Silvana Ferreira e Solange dos Santos.

Warley Goulart orientou a costura do tapete, todo feito à mão, do conto popular brasileiro “João Sortudo”, narrado pela professora Eliana de Santana. O material final foi costurado por professoras das escolas municipais da região com a ajuda de meninos recém-saídos do futebol da Vila Olímpica. Os artesãos foram Lucia Helena de Araújo, Margareth de Magalhães e sua filha Letícia, Taísa Eduardo, Isabel Cavalcanti, Eliana de Santana e as crianças Alexandre, Wellington, Reinaldo, Eduardo e Iasmin.

2013

Helena Contente costurou um tapete para o conto popular russo “Mashenka e o Urso”. O tapete foi costurado à máquina, mas os bonecos foram feitos com a técnica de moldagem de formas com lã feltrada: uma agulha feito arpão que “fura” a lã, embolando, feltrando e dando forma aos personagens do tapete.

2014

Cadu Cinelli, Edison Mego, Rosana Reátegui e Warley Goulart criaram uma grande instalação para seu espetáculo ‘Shtim Shlim’. Com direção de Inno Sorsy e supervisão cenográfica de Analu Prestes, a montagem contava com cinco salas interligadas, todas devidamente ornadas, para compor os espaços correspondentes ao homônimo conto da tradição bérbere. Destacam-se paineis luminosos com animais em transformação, uma árvore gigante feita de tecidos trazidos de Benin e um tapete gigante com adereços trazidos de Marrocos.

Warley Goulart e Edison Mego criaram painéis para os contos do suíço Peter Bichsel. Somados ao material fabricado por Cadu Cinelli em 2008, e contando com a supervisão do diretor Isaac Bernat, o trio montou o espetáculo “O Homem que tinha Memória”.

O grupo recebeu de presente um livro de pano correspondente ao conto “Maria vai com as outras”, de Silvia Ortoff. A obra foi costurada em 2007, em Brasília, por Daniella Meira Lima, mãe de Mateus, um menino que nos acompanhava em todas as visitas à cidade. Sete anos depois, o rapaz já crescido resolveu nos presentear com esta bela obra de arte.

2016

Para “Presente de Aniversário”, Warley Goulart, Cadu Cinelli e Edison Mego criaram inustados objetos-cenários. Para um conto russo, Cadu Cinelli costurou caixas-matrioskas que saem uma de dentro das outras. Para dois mitos gregos, Edison Mego criou um poncho peruano e Cadu Cinelli, assistido por Manoel Gonçalves, fabricou um pergaminho de tecido. Para um conto norteamericano, Warley Goulart costurou um grande cenário composto por uma casa que se abre e vira tapete, e um grande bolo de festa. Esta sessão foi adaptada para teatro em 2017, com direção de Cleiton Echeveste.

14 comentários em “Acervo

      1. oi! que bom que vc gostou! para irmos até sua cidade temos que pensar que projeto levaremos, para qual público.
        qual é a cidade?
        abraço, cadu cinelli

  1. Maravilhoso o trabalho de vcs, sou artista têxtil desde 2007, e faz dois anos que venho colocando o têxtil no teatro, no meu grupo e com algumas participações com figurino no Grupo Sobrevento. Ver o trabalho do grupo é uma ótima referência e uma inspiração para mim, pena que vcs estão no Rio, pois gostaria de conhecer de perto a produção.

  2. Vi, aqui em Brasília, os objetos expostos na Caixa Cultural, mas cheguei tarde para contação de histórias.
    Mesmo assim nunca me esqueci de vcs, me encanta o fato de trabalharem com duas coisas que amo: histórias infantis e panos. Voltem!

  3. Lindo o trabalho de vocês, assisti na exposição de Recife, fiquei encantada e muito motivada, pois sou professora e adoro encantar meus alunos com novidades!!!! PARABÉNS!!!!

  4. Muito interessante o trabalho de vocês, minha cidade necessita muito de apresentações culturais assim, gostaria muito que se apresentassem aqui.
    Parabéns pelo trabalho e continuem assim.

  5. Que trabalho lindo! Sou estudante de pedagogia e meu TCC provavelmente descreverá a importância da contação de historias nas escolas. Vasculhando a net, encontrei vcs, e estou encantada.
    Gostaria muito de saber se existe alguma agenda aqui em SP para ter o prazer de assisti-los.
    Parabéns !

  6. Recebi o presente de poder contemplar desta magia,que é o universo das histórias; e ainda com vocês sendo os narradores,simplesmente magnífico.
    Assisti o espetáculo ontem no Parque Municipal de Exposição de Itaipava(Petrópolis/RJ).

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