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BBAS3: Lucro do Banco do Brasil cai 53,5% no 1T26 com crise no agro

BBAS3: Lucro do Banco do Brasil cai 53,5% no 1T26 com crise no agro

O Banco do Brasil (BBAS3) enfrentou uma queda abrupta nos resultados ao divulgar seu balanço do primeiro trimestre de 2026 na noite de 13 de maio. O lucro líquido recorrente ficou em R$ 3,43 bilhões, representando um declínio acentuado de 53,5% quando comparado ao mesmo período de 2025. Esse é o primeiro recuo anual da estatal após uma sequência impressionante de 16 trimestres consecutivos de crescimento.

A situação se tornou ainda mais tensa quando o banco anunciou uma revisão significativa de suas projeções para o ano. A principal culpada? Uma deterioração severa na qualidade do crédito no setor de agronegócio, onde a instituição possui exposição massiva. O custo de crédito disparou para quase R$ 18,9 bilhões nos primeiros três meses de 2026, um aumento de 85,8% em relação ao ano anterior.

O Fim da Sequência de Crescimento

Vamos ser diretos: os números não mentem. O mercado esperava algo próximo, mas a magnitude do impacto foi surpreendente. As estimativas compiladas pela Bloomberg apontavam para um lucro de R$ 3,46 bilhões, enquanto a LSEG previa R$ 3,495 bilhões. Embora o resultado tenha ficado dentro do consenso geral de R$ 4,1 bilhões, ele ficou bem abaixo da expectativa otimista do BTG Pactual, que calculava um lucro de R$ 5,06 bilhões.

Para entender o peso dessa queda, basta olhar para o histórico recente. Em 2025, o lucro já havia caído 45% em relação a 2024. Agora, no início de 2026, a pressão das provisões para calotes — obrigadas pelo endurecimento das regras do Conselho Monetário Nacional (CMN) — esmagou as margens de rentabilidade. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), indicador-chave para investidores, despencou para 7,3%, contra os robustos 16,7% registrados no primeiro trimestre do ano passado.

Revisão de Projeções e Cenário Macroeconômico

Aqui está o ponto crucial que preocupa os analistas: o futuro imediato parece mais complicado do que se imaginava. O banco ajustou drasticamente sua faixa de lucratividade para 2026. Antes, a previsão era de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões. Agora, o teto caiu para R$ 22 bilhões, e o piso foi reduzido para R$ 18 bilhões. Isso significa que o melhor cenário anterior virou o pior cenário atual.

  • Lucro Líquido Ajustado (2026): Faixa revisada de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões (antes R$ 22-26 bi).
  • Custo de Crédito (2026): Elevado para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões (antes R$ 53-58 bi).
  • Margem Financeira Bruta: Ajustada para 7% a 11% (antes 4% a 7%).

O ponto médio da nova projeção de lucro fica cerca de 10% abaixo do consenso de mercado. Essa mudança reflete não apenas a dinâmica interna do agronegócio, mas também incertezas geopolíticas globais que afetam os indicadores macroeconômicos brasileiros.

A Resposta da Liderança

Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil, não fugiu da realidade durante a divulgação dos resultados. Ela reconheceu explicitamente um ambiente mais desafiador para o crédito e detalhou as medidas duras sendo tomadas para conter a sangria financeira.

"Entre as medidas para enfrentar o ciclo de agravamento da inadimplência do agronegócio, ampliamos e evoluímos no uso de garantias por alienação fiduciária e revisamos as esteiras de cobranças. Nos primeiros meses de 2026, já dobramos o número de judicializações realizadas durante todo o ano passado. Isso reflete o nosso direcionamento de buscar a recuperação dos nossos ativos."

Dobrar as judicializações em poucos meses é um sinal claro de urgência. O banco está acelerando a recuperação de ativos, mas isso gera custos operacionais e jurídicos adicionais, além de indicar que muitos mutuários do setor agrícola estão em situação crítica.

Impacto no Mercado e Perspectivas Futuras

Impacto no Mercado e Perspectivas Futuras

O sentimento dos investidores mudou rapidamente. O Banco do Brasil passou de "queridinho do mercado" a um grande ponto de interrogação. A ação sofreu quedas significativas em momentos específicos do ano anterior, caindo mais de 30% em alguns períodos, à medida que bancos e corretoras cortavam recomendações de compra.

Apesar da turbulência, há um ponto positivo isolado: as receitas permaneceram resilientes. A Receita Líquida de Juros (NII) atingiu níveis 4% acima da projeção da XP Investimentos. No entanto, esse ganho foi completamente ofuscado pela deterioração da qualidade do crédito. A margem financeira bruta chegou a R$ 27,42 bilhões, um ganho de 14,8% ano a ano, mas registrou uma leve queda de 1,3% na comparação trimestral.

Em termos de distribuição de lucros, o banco confirmou o pagamento de R$ 465,7 milhões em dividendos aos acionistas. Porém, analistas alertam que as perspectivas de menores dividendos para os próximos anos são altamente prováveis. A prioridade agora é fortalecer a posição de capital da instituição para absorver choques futuros.

Perguntas Frequentes

Por que o lucro do Banco do Brasil caiu tanto no primeiro trimestre de 2026?

A queda de 53,5% no lucro deve-se principalmente ao aumento drástico da inadimplência no setor de agronegócio, que representa uma parcela significativa da carteira do banco. O custo de crédito subiu 85,8% ano a ano, atingindo quase R$ 18,9 bilhões, devido à necessidade de maiores provisões para perdas creditárias.

Como as novas projeções do Banco do Brasil para 2026 diferem das anteriores?

O banco reduziu sua faixa de lucro líquido ajustado de R$ 22-26 bilhões para R$ 18-22 bilhões. Além disso, elevou a projeção de custo de crédito de R$ 53-58 bilhões para R$ 65-70 bilhões, refletindo um cenário econômico mais adverso e riscos aumentados no crédito rural.

O que significa a duplicação das judicializações mencionada pela CEO Tarciana Medeiros?

Significa que o banco está acelerando agressivamente a recuperação de dívidas impagas no setor agrícola. Ao dobrar o número de ações judiciais nos primeiros meses de 2026 em comparação com todo o ano anterior, o banco busca recuperar ativos garantidos por alienação fiduciária, embora isso indique uma crise de liquidez entre os mutuários rurais.

Os investidores devem esperar menos dividendos do Banco do Brasil no futuro?

Sim, analistas indicam que as perspectivas de menores dividendos para os próximos anos são esperadas. Diante do cenário desafiador e da necessidade de reforçar a posição de capital do banco para absorver possíveis perdas futuras, a distribuição de lucros pode ser limitada em favor da estabilidade financeira da instituição.

Qual o papel do Conselho Monetário Nacional (CMN) na queda dos resultados?

A Resolução nº 4.966/2021 do CMN endureceu as exigências regulatórias, obrigando os bancos a elevarem as provisões para calotes. Essa medida impactou diretamente o Banco do Brasil, forçando-o a reconhecer perdas potenciais mais cedo e em maior escala, pressionando seus resultados financeiros desde 2025.